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29/01/2018
Autor: Angela Hiluey
Relato das Comissões Científicas
XI Congresso Latino-americano de Psicoterapia e o II Congresso Brasileiro de Psicoterapia - agosto de 2015

Organizado por Angela Hiluey

Vice-presidente da ABRAP- Associação Brasileira de Psicoterapia

Coordenadora da Comissão Científica Nacional

 

A iniciativa de redigir um relato tanto sobre a proposta como sobre a vivência dos membros das comissões científicas do XI Congresso Latino-americano de Psicoterapia e do II Congresso Brasileiro de Psicoterapia tem por objetivo difundir as ideias compartilhadas e construídas durante estes Congressos.

 

A memória e o vento podem agir a seu bel prazer, mas a publicação dessas ideias vai permitir que as mesmas possam ser utilizadas em futuras reflexões, envolvendo a pesquisa, a teoria e a prática em psicoterapia.

 

O programa científico foi estruturado e organizado pela comissão científica nacional, constituída de membros associados a ABRAP- Associação Brasileira de Psicoterapia, entidade responsável por organizar esses Congressos juntamente com a FLAPSI e esteve sob a coordenação de Angela Hiluey a qual se responsabilizou pela organização do presente relato. A comissão científica internacional formada por membros das associações integrantes da FLAPSI- Federação Latino- americana de Psicoterapia esteve sob a coordenação de Oriana Vilches- Alvarez que pessoalmente cuidou de toda a tradução para o português, e com sua comissão assessoraram os colegas expositores oriundos do exterior bem como fizeram a apreciação dos trabalhos que foram inscritos por estrangeiros.

 

Ficou ainda a cargo da coordenadora da comissão científica nacional tanto o direcionamento para apreciação pelos membros das comissões científicas dos trabalhos inscritos como o seu posterior acompanhamento para inserção no programa uma vez aprovado o trabalho. Foram aprovados para apresentação na modalidade de Comissão Oral um total de 74 trabalhos e para apresentação na modalidade de Pôsteres um total de 35 trabalhos. Essa última modalidade contou com uma premiação sob a coordenação geral de Tales Vilela Santeiro com a participação nessa coordenação de Angela Hiluey e Glaucia Mitsuko A. da Rocha. Teve-se ainda a participação de uma subcomissão científica para apreciação dos pôsteres. Seis pôsteres foram premiados para cinco posições na categoria pôster, pois houve um empate no terceiro lugar. Enquanto para a categoria projeto de pesquisa em psicoterapia tiveram-se três pôsteres premiados para três posições.

 

Contou-se nesses Congressos com a exposição – Instituto Agrícola de Menores de Batatais: Memória em Construção de Sonia Maria B. A. Parente e Gilberto Safra. Tal exposição gerou uma atividade de Roda de Conversa sobre tal modelo de educação onde estiveram conversando Abílio Barbosa da Silva,  Jorge Broide, Rita Seixas e Sonia Maria B. A. Parente.

 Os membros das comissões científicas participaram das diferentes atividades que compuseram esse programa científico o que lhes permitiu redigir um relato que precisasse as ideias que circularam em tais oportunidades. Tal relato foi estruturado a partir da perspectiva de cada um desses atores. Por meio dessa construção em parceria, ou seja através desse trabalho em equipe espera-se, também, oferecer uma contribuição aos colegas psicoterapeutas uma vez que foram reconhecidas algumas das dificuldades com as quais precisarão os mesmos se haver no futuro.

Este relato apresenta inicialmente um panorama delineado a partir do programa científico evidenciando os temas mais frequentes e que permite a seguinte consideração: tais temas são importantes para os profissionais. A seguir no referido relato são apresentadas as ideias circulantes a partir da ótica dos membros das comissões científicas. Trata-se de um recorte, pois os membros das comissões científicas não puderam cobrir todo o referido panorama. Procurou-se por outro lado em função desse procedimento descrito garantir uma maior precisão aos dados aqui apresentados. Optou-se, também, pela utilização dos escritos literais dos membros das comissões científicas na organização desse relato.

 

Descritas as diretrizes que norteiam a redação desse relato passa-se ao relato propriamente dito.

 De 19 a 22 de agosto de 2015 aconteceram na UNIP- Universidade Paulista o XI Congresso Latino- americano de Psicoterapia e o II Congresso Brasileiro de Psicoterapia realizados pela ABRAP- Associação Brasileira de Psicoterapia em parceria com a FLAPSI- Federação Latino-americana de Psicoterapia.

 

Conta a história que em função do panorama que segue abaixo foi dada uma oportunidade para que acontecesse uma experiência que permitisse o desenvolvimento dos participantes.

 "Um panorama dos temas apresentados


Glaucia Mitsuko A. da Rocha Tales Vilela Santeiro

 

Esses dois eventos possibilitaram uma visão ampla dos aspectos que chamam a atenção dos profissionais, pesquisadores e formadores em psicoterapia na América Latina, mas principalmente no Brasil, onde foram realizados. Com essa ideia em mente, passamos os olhos pelos temas mais frequentes nas falas de convidados e demais participantes em Comunicações Orais.

Os temas que se destacaram nas falas dos convidados – Mesas - disseram respeito aos “Dilemas atuais e à clínica contemporânea”, tema geral do evento para os quais muitas falas foram direcionadas. Como exemplo de pontos abordados, podemos citar o tratamento de pacientes em trânsito, o cuidado com pessoas vítimas de violência, o tratamento de idosos, psicoterapia e saúde pública, necessidade de flexibilização do setting terapêutico, o que nos indica uma série de questões contemporâneas, da vida prática, para as quais a psicoterapia necessita de respostas que passem pela revisão de suas práticas.

Ainda como foco de atenção nas Mesas, pode-se destacar a preocupação com a formação em todo  o seu percurso: desde a graduação até a especialização, passando por questões relativas às grades curriculares, às características do terapeuta e à supervisão. Seria de estranhar que esse tema não se mostrasse relevante, pois não diz respeito apenas ao processo de formação, mas à preocupação com a qualidade do atendimento oferecido pelos futuros profissionais, enfim uma preocupação de caráter ético.

Demais temas que se destacaram foram: a preocupação com o tratamento de pacientes específicos, especialmente aqueles com Transtornos de Personalidade, Transtorno Obsessivo-Compulsivo e Transtorno Bipolar - desafios não de ordem local, mas mundial - a atenção aos pacientes atendidos em instituições; o uso de novas tecnologias e mídias, em que se tratou de questões como as práticas psicoterápicas mediadas por tecnologia ou ainda a tecnologia atravessando o relacionamento terapeuta-paciente, professor-aluno.

Quanto às Comunicações Orais, o tema que mais se destacou, foi o de “Pesquisa em Psicoterapia”, que passou por pesquisa de resultado, de processo, atendimento emergencial, grupos focais, além da possibilidade de integração entre a pesquisa e a prática. Este pode ser o resultado dos esforços da ABRAP em aproximar pesquisadores e estimular o diálogo entre os praticantes da clínica e a pesquisa com trabalhos realizados junto a alunos de iniciação científica, mestrado e doutorado. Outro tema frequente foi  o da psicoterapia de pacientes com Transtornos de Personalidade, Drogadictos, assim como o foi dentre os temas tratados em Mesas. São pacientes difíceis, desafios para os psicoterapeutas. Observa-se que, juntamente a esses dois temas, aparece a preocupação com questões teórico-filosóficas.

Se nos ativermos apenas aos temas destacados nas Mesas e Comunicações Orais: pacientes específicos/desafios da clínica contemporânea, questões teórico-filosóficas, formação e pesquisa, o panorama das Comunicações Gerais nos indica um pano de fundo. Nele se destaca a urgência em se atender às necessidades específicas de pacientes/clientes difíceis, ou ainda aos desafios apresentados à clínica na contemporaneidade, o que nos leva à busca de intervenções que façam frente a essas necessidades. Para tanto, três condições delineiam-se como importantes: 1) o aprofundamento das questões teórico-filosóficas, a fim de que saibamos até que ponto é possível flexibilizar a técnica, propor novas intervenções sem entrar em contradição teórica, epistemológica; 2) a pesquisa, a fim de que testemos a eficácia das novas propostas; 3) o cuidado com a formação, preparando o futuro profissional para o enfrentamento ético dos problemas atuais."


Tendo-se como pano de fundo esse panorama, a seguir passa-se a apresentar as ideias circulantes nesses Congressos segundo o prisma de alguns atores que são integrantes das comissões científicas.

No dia 19 através do programa científico se garantiu à FLAPSI fazer-se presente nas primeiras horas desse dia. Uma vez que a FLAPSI reúne as Associações Nacionais dos diferentes países da América Latina nessa oportunidade as Associações presentes relataram sua história sob o vértice de seus objetivos, realizações, desafios e metas. Dessa maneira a FLAPSI através das Associações que a integram mais do que se fez presente, se mostrou presente.

Evidenciou-se que a função das Associações é colaborar para que um atendimento psicoterapêutico de melhor qualidade seja oferecido à população e para tanto precisam de respaldo e consequentemente devem estar próximas e oferecer espaço às entidades acadêmicas bem como a instituições de outra natureza para que graças a essa aproximação e contribuição as Associações Nacionais de Psicoterapia atinjam esta meta fundamental.

A atividade de Diálogos tinha por objetivo tratar de temas que mobilizam os psicoterapeutas atualmente. Esperava-se que tanto fosse discriminado o que se pensa atualmente como que novos caminhos pudessem ser visualizados para futura exploração.

Sendo assim na atividade Dialogando sobre "Os dilemas atuais na prática clínica" a moderadora Angela Hiluey pode acompanhar Almir Linhares de Faria discorrendo sobre “Vivência acelerada do tempo e vazio interior" enquanto focava o que mobiliza o ser humano hoje e tais considerações permitiram visualizar que como consequência uma vivência acelerada do tempo e um vazio interior, uma pobreza subjetiva. Não tempo para elaborar a experiência. É preciso estar ligado todo o tempo no aqui e agora e aberto às novidades. Recusa-se a ideia de que a vida implica em riscos, que a possibilidade de erro e fracasso são reais. Desvaloriza-se os estados de tristeza próprios do viver. E, então, como desenvolvermos técnicas que possam auxiliar os  seres humanos com tal vazio a descobrir e construir significado?

O debate posterior calcado nessa explanação clara e fundamentada foi participativo. Houve interesse em conhecer como desenvolver técnicas mais condizentes em tal contexto social e com tal condição humana o que permitiu a visualização da terminologia que " iremos contra a maré" realmente, levando-se em conta o discurso hegemônico atual. Ou seja tem-se um significativo desafio.

A conferência de abertura por Gilberto Safra enfatizou essa necessidade de levarmos em conta o contexto histórico social para nossa prática terapêutica. E a partir da descrição das personalidades dos pacientes atuais enfatizou a necessidade de nos prepararmos para atender esses pacientes. Mostrou-nos que necessitamos ter muito mais rigor para avaliarmos nossos pacientes. Formulou que temos alguns desafios que exigem diálogos interdisciplinares, rigor na análise e desenvolvimento de novas formas de atuação. Ou seja ao término desse primeiro dia de congressos tínhamos delineadas algumas diretrizes para nossa tarefa futura e contou-se com algumas informações que foram reforçadas e ampliadas nos dias posteriores. Tais informações e diálogos deram aos participantes mais confiança para enfrentarem os desafios preconizados tanto nesse primeiro dia como nos subsequentes segundo manifestações dos mesmos.

As conferências inaugurais relativas à Psicoterapia no século XXI: possibilidades, novas perspectivas e desafios apresentadas por Ryad Simon; Hector Fernandez Álvarez e Bárbara de Souza Conte enfatizaram a necessidade de transformações em nossa técnica para o atendimento das patologias atuais em consonância com as condições de trabalho com as quais os profissionais contam. O tema da supervisão para a prática clínica foi focado e ressaltou-se a necessidade da estruturação de um plano de formação para os supervisores.

A conferência magistral foi proferida pela coordenadora da secretaria de saúde, Rosângela Elias dada a impossibilidade do Dr. David Uip, secretário de saúde do Estado de São Paulo estar presente. Dra. Rosângela ressaltou a importância da capacitação das equipes de saúde e a abertura da secretaria de saúde para o diálogo incluindo a psicoterapia.


A seguir serão colocadas as contribuições dos colegas da comissão científica sem uma distribuição por dia dos congressos, pois os mesmos estiverem presentes em dias alternados e registram suas observações como um todo.

 

Mathilde Neder teceu os seguintes comentários:

"Bastante rica foi a experiência do profissional psicólogo no encontro a nós proporcionado pelos congressos "XI Latino-Americano de Psicoterapia e II Congresso Brasileiro de Psicoterapia”. Foi possível expor e receber conhecimentos sobre o extenso e forte campo de atuação de profissionais da equipe técnica hospitalar, com contribuições fortes para a área psicoterápica e apreciações sobre práticas em psicoterapias breves e sobre produções artísticas, a par do conhecimento de experiências preciosas de profissionais hospitalares em ambulatórios de prematuros. Inclusive, foi bastante destacado o atendimento psicoterápico em diferentes tipos de instituições."

 

Ivonise Fernandes da Motta fez as seguintes considerações: "As discussões das mesas que coordenei foram muito boas.


Relato os temas centrais das mesas e discussões:

Mesa 5 A Formação dos Futuros Psicoterapeutas

Nessa mesa o participante do Panamá Ramon Arturo Mon Pinzon nos transmitiu a formação de psicoterapeutas em seu país.

Segue o tripé Psicoterapia, supervisão e teoria.

Disse dos países que recebem imigrantes e da falta de preparo dos terapeutas para atender essa população.

Conversamos sobre seu país que tem4 milhões de habitantes então muito diferente do Brasil que tem muitos milhões de habitantes.

 

Luis Eduardo Valiengo Berni e Julio Schruber Filho discutiram a formação de psicoterapeutas no Brasil as várias dificuldades atuais. Limitações na formação de vários cursos de graduação em Psicologia. Por exemplo os cursos noturnos. E também foi discutido o grande número de psicólogos formados a cada ano. O despreparo principalmente em trabalhar em contextos sociais, em instituições de saúde, em hospitais.

 

Outra mesa que coordenei no dia 19 de agosto Mesa C007 das 16-17:30hs

 

Roberto Garcia PUC São Paulo

Integração entre pesquisa e clínica- Fernanda Serralta e Aline Bittencourt Laços e Amarras Conjugais Patricia Bertaglia

A respiração Diafragmática como preparo para cirurgia Monica Fernandes

 A mesa possibilitou discussões interessantes. O trabalho de Fernanda Serralta suscitou muitas questões principalmente sobre a mensuração em Psicanálise que se revelou novidade para muitos dos integrantes da sala. Os outros temas possibilitaram diálogos principalmente a pesquisa apresentada por Roberto Garcia sobre Grupo Focal como estratégia de pré testar a compreensão de casos clínicos.

Foi muito rico.

Mesa 29 Psicopatologias Contemporâneas ou novos recursos psicoterapêuticos de Investigação?

 

Flavia Jingerman -Psicoterapia e Dependência Química

Nicolau Maluf- Reich

Marina Miranda- Distúrbios Alimentares

 

O tema das duas palestrantes se revelou de interesse por sua atualidade propiciando muitas discussões. O tema do palestrante por ser teórico não foi tanto questionado. Os diálogos foram bastante ricos. Questões clínicas foram levantadas. Características da terapêutica. Limitações e Eficácia.

José Ricardo Pinto de Abreu por sua vez comentou que:

"A mesa redonda Estratégias e táticas no planejamento em Psicoterapia que me coube coordenar compareceram dois apresentadores: Oriana Vilches-Alvarez (Chile) que abordou “A terapia dialógica: perspectiva construcionista social e práticas colaborativas”, José Ricardo P. de Abreu (Brasil) apresentou trabalho “Planejamento em Psicoterapia de orientação analítica”.

 

Oriana, falou das bases conceituais da terapia dialógica com desenvoltura e mostrando como aplica esse método psicoterápico e os resultados positivos que obtém, ilustrando seu trabalho com material prático.

 José R. P. Abreu centrou seu trabalho sobre Planejamento em psicoterapia, dizendo:


Apesar da sua reconhecida importância o tema do planejamento em psicoterapia não tem o devido destaque. Planejamento deve ser entendido como um procedimento que precede o início da psicoterapia, sendo indispensável ser delineado antes de fazer o contrato psicoterapêutico. No planejamento em psicoterapia de orientação analítica é indispensável, o estabelecimento do diagnóstico psicodinâmico, dos objetivos a serem alcançados, a escolha um foco, da estratégia e a melhor tática para o caso. Os progressos na compreensão da psicopatologia e da técnica psicoterapêutica teve reflexo no planejamento das psicoterapias. Com o entendimento de que os quadros clínicos não tinham uma psicopatologia única e purificada; foram identificados em nos pacientes aspectos de desvalimento, déficit e de conflito que precisavam ser abordados no mesmo tratamento. Os psicoterapeutas tanto podiam ser objetos do self como objetos reais e separados na vida dos pacientes. Ao lado das intervenções habituais com relevo para a interpretação passou a ser valorizado o contexto empático no tratamento dos aspectos mais regressivos dos pacientes em especial aos portadores de transtornos de déficit e desvalimento. O conceito de correntes psíquicas anunciado por Freud e aprofundado por Maldavsky é utilizado para compreensão dos casos sendo muito útil para o planejamento. Este deve ser apresentado através de um diálogo interativo de modo que o paciente compreenda o que vai tratar como e aonde se pretende chegar. Destaca as vantagens para o paciente e para o terapeuta quando o planejamento inicial é realizado. Durante a apresentação foram apresentados exemplos clínicos ilustrativos.


Enfim, os objetivos previstos para essa mesa foram atingidos e a tarefa proposta foi plenamente contemplada.


Como ponto final, devo dizer que o congresso proporcionou trabalhos originais de clínicos e também de pesquisadores que informaram novidades de utilidade tanto para o psicoterapeuta, que trabalha no consultório privado, como o que exerce sua prática em saúde pública."

 

Henrique J. Leal F. Rodrigues ressaltou a partir de sua experiência que “os debates foram ricos e os trabalhos em sua maioria bem relevantes".

 Ana Patrícia de Sá Leitão Peixoto relata alguns apontamentos do que foi apresentado e a seguir formula algumas considerações:

 “Pesquisa sobre psicologia do dinheiro um campo muito novo no Brasil”. Apresentou a relação entre as emoções e como utilizamos nossos recursos. Trabalho muito rico.


 A ética e o uso da tecnologia abriu algumas questões relacionadas ao uso psicoterápico da internet e as doenças da civilização (as dificuldades de contato, o isolamento como característica da sociedade contemporânea, a depressão). Como tratar estas questões? A internet não aumentaria esse isolamento?

O self do terapeuta traz para um olhar para a meditação como recurso do terapeuta para trabalhar o aqui e agora, para trabalhar a ansiedade. Outro ponto abordado foi o respeito pelo humano que deve vir antes da técnica.

 Sobre a clinica da adolescência o estudo apresentado abordou os problemas de relacionamento, timidez, isolamento e depressão.

Foi apresentado um estudo sobre o atendimento de vitimas de abuso e apresentou-se a falta de treinamento do pessoal da saúde no atendimento dessas mulheres e a importância do psicólogo no acolhimento.

O papel do psicólogo na equipe medica de cirurgia de redução tem sido na maioria das vezes mero objeto de decoração.

 

Abordada teoria que enfoca a importância dos cuidados no inicio da vida e a relação com as patologias na vida adulta quando esta relação é quebrada ou violada; e como a psicoterapia dentro do espaço relacional pode ajudar a resignificar estas experiências.

 As questões que marcaram este encontro da psicoterapia na América latina estariam representadas pelas discussões em torno dos seguintes pontos: 1º da necessidade de se trabalhar na pessoa do psicoterapeuta; já que se reconhece o papel fundamental da relação terapeuta-cliente no tratamento psicoterápico. 2º A importância da supervisão no processo de formação do psicoterapeuta que inclui desde a formação pessoal do profissional a pratica clinica assistida; bem como a formação do supervisor. 3º A inserção do psicoterapeuta no trabalho em espaços além do fazer clinico. 4º Trabalhar mais as pesquisas em torno da psicoterapia. Por fim pensar a prática da psicoterapia por um olhar mais integrador respeitando as  diferentes formas de psicoterapia.”

 

Glaucia Mitsuko Ataka da Rocha por sua vez escreveu as considerações que se seguem:

"Coordenação de Mesa Redonda, Coordenação de Comunicação Oral, Participação em Mesa Redonda e Comissão de Pesquisa. Em relação às atividades de coordenação de Mesa Redonda, Comunicação Oral e como participante de Mesa Redonda, todas transcorreram muito bem. O ambiente sempre foi de partilha, cooperação e as oportunidades de troca após as apresentações foram ricas. Pareceu-me que foi importante encontrar um espaço em que os profissionais pudessem se posicionar frente à Psicoterapia no Brasil e encontrar eco para suas falas.

No que respeita às atividades da Comissão de Pesquisa, entendo que tudo transcorreu de forma harmoniosa. O processo foi definido pelo Dr. Tales Santeiro de maneira primorosa e ética e considero que a finalização do processo foi justa."

 

Angela Hiluey acompanhou a formação e o envio dos casos clínicos anônimos que foram discutidos no evento. Os três relatos segundo os debatedores foram claros, precisos e condizentes com as atuais preocupações dos psicoterapeutas. Os temas foram relativos a: o uso da internet por crianças  e adolescentes; a psicoterapia e o uso da medicação; a violência familiar. Sendo Angela a moderadora do caso clínico envolvendo a abordagem frente ao Segredo lhe foi possível acompanhar essa discussão o que lhe permitiu tecer as seguintes considerações: As debatedoras Helena Centeno Hintz e Edith Vega se ocuparam do relato do caso que mobilizaria a discussão. Helena esteve presente e Edith dado estar impossibilitada de comparecer enviou suas considerações por e-mail. Tratava-se de um caso envolvendo o abuso sexual. Foi possível ser levantado tanto o impacto dos profissionais frente a tais casos daí inclusive a sugestão do trabalho em equipe terapêutica para dar apoio ao terapeuta. Ressaltou-se a complexidade de tais situações daí ser preciso implicar a problemática do próprio abusador. Falou-se sobre as pesquisas relativas a transmissão transgeracional envolvendo o segredo que mostram os riscos das experiências que não podem ser representadas para as gerações seguintes. Bem como sugeriu-se um trabalho com a mãe que viesse a restabelecer a confiança da filha por sua mãe vindo a incluir um pedido de desculpas que a filha poderia vir a conceder ou não dado que a criança não contou para sua mãe porque ela  segundo a criança não acreditaria. O papel do juiz e das equipes que acompanham esses casos foi comentado dada a relevância da capacitação de tais equipes. Ter conhecimento através do relato do encaminhamento dado à criança, sua mãe e irmãos e seus resultados provocou um alívio aos participantes inicialmente mobilizados pela depressão da criança abusada.

 A discussão e o debate consequente evidenciaram que diferentes temas de significativa complexidade estavam implicados em tal situação bem como que um diálogo sobre as condutas possíveis a serem tomadas provoca muito interesse. A formação continuada mostrou ser fundamental aos profissionais frente às demandas da clínica na atualidade.

A mesa redonda intitulada Formação e prática em psicoterapia contou com a apresentação e coordenação de Glaucia Mitsuko Ataka da Rocha e com a apresentação de Waldemar Fernandes e de Luis Oswaldo Pérez Flores. Angela Hiluey esteve presente como participante e, portanto, tece algumas considerações. Os apresentadores alinharam a fundamentação teórica à prática terapêutica proposta para suas exposições. Isso permitiu aos participantes uma visualização precisa de tal relevância para uma prática psicoterapêutica responsável. Participantes ainda estudando na graduação solicitaram auxílio de propostas práticas para seus atendimentos. Dada a complexidade dos casos relatados o papel do supervisor foi ressaltado assim como a importância do trabalho em equipe interdisciplinar dadas as patologias apontadas na discussão. Evidenciou- se tanto a relevância da formação continuada como a importância do diálogo e do trabalho interdisciplinar. Waldemar compartilhou a experiência do Nesme onde em seus congressos após cada término de exposição um grupo de discussão no qual não se faz perguntas aos expositores, mas se conversa a partir da experiência vivenciada. Essa é uma prática que favorece a articulação das ideias circulantes.

 

Angela Hiluey fez uma exposição em mesa redonda. Essa mesa foi intitulada como Acolhimento, prevenção e rede social. Estava nessa mesma mesa como expositora Martha Franco Diniz. Uma outra mesa intitulada como Prática clínica e os meios de comunicação aonde expunham Moisés Fernandes Lemos e Rosa Flores Morales juntou-se a Angela e Martha.

 A apresentação de Rosa mostrando a utilização e construção do material para simulação virtual das situações de fobia para o uso terapêutico mobilizou a plateia presente dada a dificuldade frente a tais situações de fobia.


 Moisés além de trazer seus dados teóricos mostrou a importância do ambiente do cinema para tais efeitos no expectador. Angela mostrou cenas do filme Para sempre Alice para referir-se às famílias onde um idoso com Doença de Alzheimer. Pode-se fazer referência aos dados de Moisés em função desse fato , pois se vê filmes não mais apenas no cinema.

 

Martha mostrou a relevância de um acompanhamento psicológico para uma adoção bem encaminhada. Evidenciou-se novamente a importância da capacitação das equipes envolvidas nesses processos e do diálogo entre as instituições envolvidas.

 

Angela mostrou que até 04 gerações são afetadas quando há um idoso com Alzheimer e, portanto, deu seu alerta sobre como tais situações merecem mais estudos e profissionais se ocupando da velhice. Através do filme Angela apresentou não só a repercussão na família da DA como no próprio paciente.

 A discussão entre os presentes evidenciou que os profissionais estão ávidos por interlocução. A formação continuada é vista como fundamental, mas sobretudo ficou evidente o interesse em conhecer as pesquisas, as diferentes situações clínicas bem como se observou um claro movimento de tentativa de integrar tais conhecimentos à sua própria prática.

 

Oriana Vilches-Álvarez, coordenadora da comissão científica internacional compartilhou sua experiência informando que: “Quanto aos Diálogos por Associação a iniciativa foi interessante e por isso se chamou diálogo.

 As conferências foram excelentes e deram uma grande contribuição tanto sobre a história da psicoterapia como quanto ao trabalho relativo a supervisão e à pessoa do terapeuta.

 

As mesas redondas: participei de três delas. Minha apresentação de modelos terapêuticos Terapia dialógica e Supervisão desde as práticas colaborativas. Em ambas as mesas foi muito gratificante apresentar as ideias a um público de brasileiros interessados e motivado a fazer perguntas. Fiquei com a ideia de que algo novo foi levantado e que houve o benefício de conhecer o trabalho do profissional não de outra associação nacional, mas de outro modelo psicoterapêutico. Assim pude perceber não só as pequenas e grandes diferenças dos modelos, mas que os profissionais estão satisfeitos em realizar aquilo que lhes faz sentido realizar. Na terceira mesa fui participante. Houve o atraso de um apresentador o que gerou prejuízo na exposição dos trabalhos.


Agora revisando minha experiência fico "com gostinho" já que foram tantas as exposições que eu gostaria de ter escutado.

 

Tomara que os profissionais enviem suas apresentações para que eu tenha a oportunidade de lê-las." (Tradução livre).”

Chega-se assim ao final desse relato tecendo algumas considerações finais.


Um relato descritivo embora longo, permite o resgate das ideias circulantes nesses Congressos segundo a ótica de alguns dos membros das comissões científicas.


Assim como numa investigação esse recorte permitiu a enumeração de alguns dados que dão sustentação às conclusões aqui apresentadas.

 Tais dados permitem que se afirme que as conclusões apresentadas por Glaucia e Tales já nos seus escritos sobre o panorama dos temas apresentados são condizentes. Passa-se aqui a reescrevê-las como algumas  das metas para o futuro: 1) o aprofundamento das questões teórico-filosóficas, a fim de que saibamos até que ponto é possível flexibilizar a técnica, propor novas intervenções sem entrar em contradição teórica, epistemológica; 2) a pesquisa, a fim de que testemos a eficácia das novas propostas; 3) o cuidado com a formação, preparando o futuro profissional para o enfrentamento ético dos problemas atuais.

Os dados apresentados nos permitem ainda incluir outros itens como metas. São eles: 4) a investigação estar alinhada à prática clínica; 5) evidenciar a relevância do trabalho pessoal do psicoterapeuta; 6) a estruturação de modelos para formação de supervisores; 7) a capacitação das equipes de saúde; 8) abrir o diálogo com as diferentes instituições, inclusive a secretaria da saúde e as universidades de modo não mais meramente informativo, mas sim autenticamente participativo; 9) estar aberto a diálogos interdisciplinares.

 Nos diálogos sobre as Perspectivas Futuras na Psicoterapia, Guillermo Garrido e Alceu Roberto Casseb ao longo de suas explanações fundamentadas numa perspectiva teórico-filosófica nos permitiram acompanhar de modo alinhado e bem sustentado as metas que acima puderam ser enumeradas.

 

A experiência dos membros das comissões científicas nas discussões realizadas ao longo desses Congressos permite que se afirme que a interlocução é necessária e valorizada pelos participantes de modo prevalente. Ou seja, confirmam aquilo que Gilberto Safra e Almir Linhares de Faria nas primeiras exposições desses Congressos permitiram que se vislumbrasse: a necessidade de reflexão sobre a própria experiência enquanto mostravam eles como está estruturando-se o ser humano no mundo contemporâneo.

 As comissões científicas desses Congressos deixam aqui sua contribuição para as futuras reflexões convictas de que as Associações Nacionais de Psicoterapia bem como a Federação Latino-americana de Psicoterapia que as une, estarão ao lado dos psicoterapeutas na busca de oferecer um atendimento de melhor qualidade à população.

 

Que a união materializada através do diálogo nos sustente enquanto enfrentamos os desafios. Bom trabalho.

Angela Hiluey

Vice-presidente da ABRAP- Associação Brasileira de Psicoterapia Coordenadora da Comissão Científica Nacional

 

Membros da Comissão Científica Nacional

Profª Ana Patrícia de Sá Leitão Peixoto

Profª Drª Angela Hiluey (coordenadora)

Profª Drª Glaucia Mitsuko Ataka da Rocha

Prof. Dr. Henrique J. leal F. Rodrigues

Profª Drª Ivonise Fernandes da Motta

Prof. Dr.José Toufic Thomé

Prof. Me. José Ricardo Pinto de Abreu Profª Drª Mathilde Neder

Prof. Dr. Tales Vilela Santeiro

 

Membros da Comissão Científica Internacional APRA- Argentina. Alejandra Pérez Ps.

ABRAP- Brasil. Emília Afrange

ACHIPSI- Chile. Proª Mg Oriana Vilches-Álvarez (coordenadora)

AMEPAC-México. Drª Lorena Fernández Rodriguez

APPSIC-Peru. Luis Pérez Flores

SOPAPSI-Panamá. Dr. Ramón Mon FUPSI- Uruguay. Lic. Julia Ojeda

AVEPSI- Venezuela. Jesus Miguel Martinez