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07/06/2020
Autor: Angela Hiluey
Boletim Informativo da Associação Brasileira de Psicoterapia | Nº 11/2020 | Junho


Associados e Associadas da ABRAP,

Concidadãos e Concidadãs, Sociedade Brasileira.

 

Palavra da Presidente

“O padrinho de Maria disse:

Sabe por que a vida é o melhor de todos os contos de fada?

Porque é uma história na qual a gente é personagem, tomando parte nela...”

Christian Andersen, 1996, p.608.

 

No conto “O que toda a família disse” de Andersen, encontra-se a epígrafe acima. Nesse conto, Andersen destaca a vida como uma história na qual contador e personagem tomam parte dela.

Chegamos a 2020 em tempos de pandemia do coronavírus Covid-19.

A situação vivida pode fomentar pressões internas sérias, e isso ocorre porque estamos vivos.

O risco de ser contaminado por um vírus que inicialmente nem denominação possuía; contrair uma doença desconhecida; poder vir a propagá-la inclusive para parentes e amigos; sentir-se muito mal física e psicologicamente; e ainda poder vir a morrer; não eram ideias que nos acompanhassem de maneira tão palpável e constante.

Por outro lado, a ciência desenvolvida por diferentes áreas do conhecimento vem nos auxiliando e assim podemos nos apoiar em orientações que, mesmo temporárias, estão nos amparando.

Vamos retomar a história na qual somos narradores e personagens: a da nossa vida. A vida da humanidade foi afetada. Quer ocupemos a função de profissional na linha de frente, ou a função de quem trabalha pela saúde mental da população, todos estamos assustados. Por outro lado essa atitude colaborativa vigente nesses tempos vem dando sustentação para que sigamos escrevendo a nossa história que como escreve Andersen é a melhor, pois é sobre nossa vida. É a nossa grande obra! Cuidemos da vida!

Inicialmente nos foi possível produzir e divulgar informação e esclarecimentos a todos que conseguimos alcançar, uma vez que se sabe da importância da comunicação em situação de crise e desorganização. Fizemos e continuaremos fazendo nosso melhor esforço, assim como fazem outras organizações mundo afora.

A orientação versa sobre a necessidade do isolamento social como forma para diminuir a velocidade de propagação do vírus, dado que uma propagação mais rápida da doença sobrecarrega equipamentos e equipes, com risco de colapso do sistema de saúde como um todo.

Frente a esse isolamento necessário, foram compartilhadas orientações para preservação da saúde mental da população, um risco associado à situação vivida e que cada vez se mostra com maior clareza. Se a doença, seja qual for ela, já causa medo e insegurança, as características peculiares da Covid-19 e o isolamento que ela impõe, faz com que as pessoas se sintam ainda mais inseguras e desamparadas

Entenda-se aqui que a saúde mental está associada à maneira como o ser humano reage às exigências da vida ao longo do seu ciclo vital. Esse ser humano é fruto de uma vivência relacional num grupo primário, a família ou quem a substitua, e também fruto de vivências relacionais em diferentes grupos as quais são experimentadas num dado contexto social.

Estimulou-se, então, na pandemia do Covid-19, aos seres humanos:

1)    que tivessem contatos pessoais diários com amigos, família, conversas com grupos utilizando telefone, WhatsApp, Skype, usando as diferentes plataformas que possibilitam o contato visual, enfim utilizar as diferentes opções de contato via redes sociais;

2)    estabelecer rotinas: de trabalho com intervalos de repouso; de atividades físicas; atividades de lazer; atividades de autocuidado tipo exercícios respiratórios, yoga, etc; de tarefas domésticas; de atividades artísticas.

3)    evitar a exposição constante e/ou excessiva a noticiários, inclusive por WhatsApp. Escolher um horário e um noticiário para ter acesso às notícias do dia;

4)    ser solidário e solicitar ajuda se necessário;

5)    buscar apoio psicológico;

6)    evitar os pensamentos catastróficos;

7)    conversar com as crianças sobre o coronavírus

A ABRAP esteve, desde o início de 2020, à disposição dos psicoterapeutas e da população como um todo, e para isso produziu materiais sobre a situação que vivemos e compartilhou os materiais orientativos de outras Instituições bem como dos serviços de atendimento psicológico. Diante dessa situação de isolamento físico, a ABRAP utilizou uma plataforma virtual para realizar, aos 18 de abril, uma videoconferência – “Covid-19: Europa e América Latina conversam sobre a vivência de isolamento entre os seres humanos.”


Para essa videoconferência a ABRAP teve a colaboração e disponibilidade ímpar de três profissionais brasileiros e três estrangeiros, estes últimos nos trazendo a experiência da Itália, Espanha e Colômbia, dentre esses países aqueles que foram atingidos um pouco antes e, portanto, tinham valiosas experiências para compartilhar.

Após a comunicação de informações e esclarecimentos, conversamos sobre a vivência de isolamento, em particular com os colegas da Espanha e Itália, que já vivem essa a situação há mais tempo do que nós da América Latina.

Contamos com a disponibilidade ímpar dos professores:

·         Prof. Dr. Juan Luis Linares (Espanha), psiquiatra, psicólogo, autor de referência na Terapia Familiar e presidente honorário de Relates- Rede europeia e latino-americana de escolas sistêmicas;

·         Profa. Dra. Regina Giraldo (Colombia), psicóloga, especialista em maltrato familiar, violência conjugal, terapia de pais separados e Presidente de Relates;

·         Dr. Matteo Selvini (Itália), filósofo, especialista em psicologia, participou da história da Terapia Familiar, é codiretor da Escola Mara Selvini Palazzoli de Milão.

·         Profa. Dra. Rita Sanchez (Brasil), médica ginecologista e obstetra, médica do setor de medicina fetal da área materno-infantil e do programa parto adequado do Hospital Albert Einstein;

·         Prof. Dr. Luciano de Góis Vasconcelos (Brasil), médico geriatra, coordenador e organizador do grupo de cuidados paliativos, preceptor de médicos residentes do Hospital das Clínicas Luiza de Pinho Melo;

·         Dra. Marluce Muniz (Brasil), 2ª vice-presidente da ABRAP, médica psiquiatra com especialização em crianças e adolescentes, psicanalista, especializada no atendimento a crianças e adolescentes, terapeuta familiar.

·         Profa. Dra. Angela Hiluey (Brasil), moderadora da videoconferência, presidente da ABRAP, psicóloga, psicoterapeuta especializada em atendimento de casal e família, diretora, docente e supervisora no CEF- Centro de Estudos da Família Itupeva/SP.