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20/02/2018
Autor: Angela Hiluey
Mensagem da ABRAP-Associação Brasileira de Psicoterapia
Retrata nossos objetivos e disposição de colaborar com a sociedade.

Fevereiro de 2018.

A ABRAP-Associação Brasileira de Psicoterapia iniciou a sua história em maio de 2004.

Naquele ano, um grupo de psicoterapeutas, os fundadores, a criaram e escreveram seu estatuto (vide: www.abrap.org) através do qual a apresentaram.

Essa associação tem como intuito congregar e promover o intercâmbio entre os psicoterapeutas das diferentes linhas psicoterápicas.

Objetiva-se disponibilizar aos profissionais da área e à sociedade em geral, informações atualizadas sobre a atividade psicoterapêutica, fomentar a pesquisa e servir como espaço de troca e, eventualmente, referência para aqueles que pretendem ter uma visão geral do campo da psicoterapia e de sua interface com áreas afins. Busca assim auxiliar a que se resguardem as condições de trabalho favoráveis ao bom exercício da Psicoterapia ao focar os problemas emocionais. Pretende somar-se aos diversos esforços de diálogo e pesquisa para cooperar com os diversos agentes atuantes em nosso campo fornecendo, quando chamada, e se for o caso, subsídios para auxiliar na negociação de temas de interesse geral para a Psicoterapia ou mesmo para outros segmentos. Os profissionais para se associarem a ABRAP precisam atender a alguns critérios dentre eles: possuir título universitário, comprovada formação que lhe permita atuar como psicoterapeuta, bem como estar vinculado a um conselho profissional que possa legalmente exigir o cumprimento de normas éticas e técnicas ligadas ao exercício de psicoterapia (vide: www.abrap.org).

Encontramo-nos com disponibilidade para colaborar tanto nos serviços para atendimento psicoterapêutico como para a qualificação dos psicoterapeutas. Por outro lado a ciência contemporânea que segundo Morin (2005), requer um pensamento que capte relações, inter-relações, implicações mútuas, fenômenos multidimensionais, realidades que são simultaneamente solidárias e conflitivas, que respeite a diversidade ao mesmo tempo que a unidade, um pensamento organizador que conceba a relação recíproca entre todas as partes, permite que se visualize que os psicoterapeutas podem oferecer a sua perspectiva também em contextos não-clínicos, haja visto que a interdisciplinariedade é condizente com os pressupostos da ciência contemporânea. 

A demanda atual reforça a presença da interdisciplinariedade ao evidenciar a importância do contexto histórico-social para a nossa prática psicoterapêutica. Ou seja, os diálogos interdisciplinares são fundamentais para o desenvolvimento de novas formas de atuação. Estamos submetidos ao novo paradigma da ciência onde o pensamento se constitui não mais sobre fragmentos e sim leva em conta o contexto e o complexo.

Berenstein (2008) escreveu que os espaços psíquicos são três: mundo vincular; mundo socio-cultural e mundo interno, que são distintos, diferenciados e se reúnem no sujeito. que por sua vez é resultado deles. Mundos esses sobrepostos, mas separados.

E assim a humanidade, e não apenas os profissionais, se encontram diante da dificuldade que descreve Bion (1992) para se transformarem:

(...) Mas todos nós odiamos a tempestade que implica o ato de rever nossas visões; é muito perturbador pensar que poderíamos rever nossas visões; é muito perturbador pensar que poderíamos chegar a mudar de parceiro, ou profissão, ou país, ou sociedade; assim, a pressão para dizer "daqui não passo" estabelece uma resistência ao aprendizado (...).

Bion, 1992, p.9-10.

Sendo assim os diálogos incluindo o antropólogo, o historiador, o estudioso/pesquisador sobre transmissão psíquica, seguramente serão enriquecedores a todos os envolvidos. Essa atividade de diálogo entre profissionais de outras áreas já vem sendo realizada.

Essa união entre profissionais advindos de outros campos do conhecimento poderá levar os psicoterapeutas a visualizarem o que lhes auxiliará a desenvolver novas práticas condizentes com as particularidades de cada sujeito e/ou grupo de sujeitos. 

A ABRAP em março realizará um primeiro encontro com os formadores de psicoterapeutas, com o objetivo de compartilharmos conquistas e dificuldades, com o intuito de juntos planejarmos ações para colaborarmos de modo mais efetivo no sentido de garantirmos a melhor qualidade de atendimento psicoterapêutico para a população.

Tendo consciência que:

"O mundo não é o que penso, mas o que vivo, estou aberto ao mundo, comunico-me indubitavelmente com ele, mas não o possuo ele é inesgotável."

Merleau-Ponty, 1971, p.14.

almejamos colaborar para que cada sujeito tenha uma postura que lhe permita vir a colaborar para constituir instituições funcionais, familiares, educacionais, hospitalares, sociais, etc. Seres humanos que reconheçam sua responsabilidade na constituição da sua história.

A ABRAP-Associação Brasileira de Psicoterapia seguirá fazendo a sua história com o objetivo de promover a saúde mental.

Atenciosamente,

Diretoria e Conselhos da ABRAP-Associação Brasileira de Psicoterapia - Gestão 2017-2019