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18/10/2022
Autor: Janete Ap. Carrillo - Psicóloga e Terapeuta C
DEPRESSÃO SOB O OLHAR DA TERAPIA COGNITIVA
Saúde Mental

Definição de Depressão

    Segundo Beck (2011), a depressão é o exagero de um estado de humor vivenciado por indivíduos normais. Depressão é causada principalmente por estresse psicológico e conflitos mal resolvidos.

    As queixas dos sintomas depressivos podem ser apresentados de múltiplas formas com queixas psíquicas, como: humos depressivo, anedonia, ideias de autodesvalorização e culpa, ideias de morte e suicídio, fadiga, sensação de perda de energia, diminuição da concentração, memória e capacidade de decidir, assim como queixas somáticas, como: aumento ou diminuição de sono, apetite e peso, diminuição da libido, dores sem substrato orgânico, como também podem ocorrer, associados, as alterações de comportamento.

    A depressão pode, hoje, ser definida em termos dos seguintes atributos:

1-        Alteração específica no humor, tristeza, solidão, apatia.

2-        Autoconceito negativo associado a autorrecriminações e autoacusações.

3-        Desejos regressivos e autopunitivos: desejos de fugir, esconder-se ou morrer.

4-        Alterações vegetativas: anorexia, insônia, perda da libido.

5-        Alteração no nível de atividade:  retardo psicomotor ou agitação.

    É comum indivíduos normais dizerem que estão deprimidos quando observam qualquer queda em sua disposição de ânimo para um nível mais baixo do que o costumeiro. O indivíduo que vivencia tristeza ou solidão transitória pode dizer que está deprimido. É discutível se essa disposição de ânimo normal equivale ao sentimento vivenciado na condição anormal da depressão ou mesmo se tem alguma relação com ela.

    O termo depressão muitas vezes é usado para designar um complexo padrão de desvio nos sentimentos, na cognição e no comportamento não representando com um transtorno psiquiátrico distinto. Neste caso a depressão é considerada uma síndrome ou complexo de sintomas que causam um prejuízo no funcionamento global e são categorizados como, transtornos depressivo maior e transtorno distímico, transtorno disruptivo, entre outros quadros bem específicos.

    O transtorno depressivo maior é definido por um ou mais episódios depressivos. Tais episódios incluem 2 semanas de humor deprimido ou perda de interesse e no mínimo 4 sintomas de depressão adicionais.

    O transtorno distímico é definido por ao menos 2 anos de humor deprimido de baixa intensidade e o indivíduo está deprimido na maior parte dos dias.

    Existem ainda muitas discussões entre os estudiosos sobre a reação entre depressão e mudanças de humor vivenciadas por indivíduos normais que vivenciam tristeza ou profundos sentimentos de solidão.

    A palavra humos se aplicada a um espectro de sentimentos que vão da euforia a felicidade em um extremo à tristeza e infelicidade.

    Os episódios de humor deprimido ou de tristeza que ocorrem nos indivíduos normais assemelham-se, em diversos aspectos, aos estados clínicos da depressão.

    Rangé relata que um indivíduo deprimido pode ficar sentado sem dizer nada por longo período de tempo, ficar na cama, o dia todo, estar mais lento, inclusive no desenvolvimento de suas tarefas. A frequência reduzida do comportamento positivo reforçado é a marca registrada da depressão e pode estar relacionada a vários fatores como: a falha no repertorio da criança em interagir com sucesso com a mãe em situações importantes, como na alimentação. Pode apresentar uma perda de comportamento que resultaria de um reforço bem-sucedido dessas interações, mas também resultar em uma falta de desenvolvimento de percepção.

    O desenvolvimento bloqueia o estabelecimento de modos adequados de interação com outros indivíduos. Essa visão de um desenvolvimento de repertórios rotulados deprimidos, chama a atenção para a aquisição de comportamentos positivamente reforçados supondo-se que o aumento de comportamentos adequados reduzirá a frequência dos inadequados.

    Para Beck os sintomas e sinais a seguir, tais como: tristeza, pessimismo, fracassos passados, perda de prazer, sentimentos de culpa, sentimentos de punição, autocritica aumentada, pensamentos ou desejos suicidas, choro, agitação, indecisão, mudanças no padrão de sono, irritabilidade mudanças no apetite, dificuldades de concentração, cansaço ou fadiga, perda de interesse sexual.

    Segundo Beck, (1997), o grau de depressão pode ser avaliado considerando o número de sintomas e sinais que o indivíduo possa apresentar, sua frequência e intensidade.

    Para isso são utilizados instrumentos e técnicas de avaliação reconhecidas cientificamente. O quadro depressivo pode ser classificado como “normal”, “moderado”, ou “severo” de acordo com a pontuação obtida no BDI ( Beck depression inventory).

    De acordo com Beck (1997), todos os indivíduos para lidarem com suas crenças negativas, desenvolveram características psicológicas vulneráveis, além de serem predispostas biologicamente à depressão.

    Algumas características: pessimismo, perfeccionismo, catastrofismo, radicalismo, extremismo, timidez, resistências a críticas, baixa tolerância ao estresse, baixa tolerância às frustrações.

    Beck (1997) define situações indutoras para depressão: morte do cônjuge, filhos e amigos, conflitos conjugais, dificuldades com parentes, dificuldades financeiras, perda emprego, causas judiciais, distância de família, aposentadoria/invalidez, etc.

    Há também a sobrecarga de informações: cursos, competições, pressão para processos rápidos, mudanças, readaptações.

    A pessoa deprimida é como um ser praticamente cerebral, ela pode entender o sentido de uma piada, mas não sentir divertida, ela pode dar as características dos familiares queridos, como também reconhecer um alimento ou peça musical favoritos, mas sem experimentar o sentimento de satisfação. A capacidade do indivíduo deprimido de raciocinar com sentimentos positivos esta bloqueada, experimenta as vibrações extremas de emoções desagradáveis.

    É como se seu reservatório de sentimentos estivesse canalizado através da tristeza, da apatia e da infelicidade. Portanto, ao trabalhar com pacientes deprimidos, não podemos perder de vista a gravidade de sua perda, a limitação de sua capacidade para sentir prazer, afeto, alegria e diversão, assim como a intensidade de sua tristeza.

    Pacientes deprimidos buscam ajuda por não sentir mais amor pelos membros da família ou porque perderam o entusiasmo pela vida. Na identificação e expressão de emoções, o terapeuta deve avaliar a capacidade do paciente em reconhecer e controlar seus sentimentos.

    COMO PROCEDER O TRATAMENTO AO DEPRESSÃO DENTRO DA ABORDAGEM COGNITIVA.

    O terapeuta é um colaborador, um consultor e um professor dos princípios. Podemos nos utilizar da metáfora, pois o paciente observa de maneira natural, os fenômenos de sua vida, desenvolve teoria sobre o seu mundo, simula relações entre variáveis e realiza experiências para validar suas teorias e controlar seus ambientes.

    As estratégias de terapia de autocontrole utilizam estas para fundamentar os processos naturais de autoregulação. O autocontrole converte os processos naturais que estão fora da consciência, são encobertos e informais, em procedimentos conscientes manifestos e formais.

    Caballo (2002) aborda sobre os objetivos do tratamento, focando na solução de problemas que incluem:

- ajudar o paciente a identificar as anteriores e as atuais situações estressantes da vida, os acontecimentos mais importantes e os problemas atuais, que fazem parte das reações emocionais negativas.

- diminuir o grau em que a resposta influencia de modo negativo as tentativas futuras de enfrentamento.

- aumentar a eficácia das tentativas de solucionar os problemas no enfrentamento de situações atuais.

- ensinar habilidades que permitem que o paciente enxerga de modo mais eficaz os problemas futuros, para evitar perturbações psicológicas.

Dependendo das circunstâncias da própria vida, o tratamento dentro deste contexto pode centrar-se em mudar a natureza problemática das situações estressantes anteriores e atuais, modificar a resposta desadaptativa do paciente.

A terapia de solução de problemas deve ser aplicada de forma estruturada e de tempo limitado.

Diz também que o emprego de reestruturação cognitiva seria apropriado durante o treinamento em definição e formulação de problemas, a fim de diminuir o grau em que diferentes distorções cognitivas impedem que o paciente defina um problema com precisão.

O emprego do treinamento em relaxamento é igualmente importante durante o processo da criação de alternativas, objetivando facilitar a criatividade ao diminuir as possíveis interferências associadas com a reatividade emocional.

Caballo (2003), os principais objetivos do tratamento são: reconhecer as preocupações, como o comportamento de aproximação e evitação, a identificação dos diferentes tipos de preocupações e a correta aplicação de estratégias e técnicas voltadas para cada indivíduo, com o intuito de produzir as mudanças satisfatórias desejadas.

Um programa de autocontrole para depressão:

- auto registro, efeitos sobre o comportamento.

- as atribuições estabelecendo objetivos para mudanças no pensamento, sentimento e consequentemente no comportamento.

- auto reforçamento,

- manutenção das mudanças,

- Tarefa de casa referente ao que foi direcionado durante a seção de terapia.

Beck, Judith (1997) Terapia cognitiva se baseia em 10 princípios básicos:

1 - em formulação e continuo desenvolvimento do paciente e de seus problemas em termos cognitivos.

2 - requer uma aliança terapêutica segura

3 - enfatiza colaboração e participação ativa

4 - é orientada em meta e focalizada em problemas

5 - inicialmente enfatiza o presente

6 - é educativa, visa ensinas o paciente a ser seu próprio terapeuta, e enfatiza prevenção da recaída

7 - visa ter um tempo limitado

8 - as sessões de terapia cognitiva s]ao estruturadas

9 - ensina os pacientes a identificar, avaliar e responder a seus pensamentos e crenças disfuncionais.

10 - utiliza-se de uma variedade de técnicas para mudar pensamento, humor e comportamento.

 

 

Referencias

Beck, Aaron (1997,2011): Terapia Cognitiva da Depressão. Porto Alegre, Artmed. 1997

Beck, Judith (1997): Terapia Cognitiva teoria e prática

Caballo, Vicente E: Manual de Técnicas de Terapia e Modificação do comportamento. SP, Santos, 2002

Rangé, Bernard : Psicoterapia comportamental e Cognitiva de transtornos psiquiátricos. Campinas, livro Pleno, 2001