{"id":411,"date":"2025-02-16T18:50:57","date_gmt":"2025-02-16T21:50:57","guid":{"rendered":"https:\/\/abrap.org\/?p=411"},"modified":"2026-01-20T18:59:39","modified_gmt":"2026-01-20T21:59:39","slug":"memoria-corporal-trauma-racial-e-religacoes-de-afetos-na-perspectiva-poetica-e-de-ferenczi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrap.org\/index.php\/2025\/02\/16\/memoria-corporal-trauma-racial-e-religacoes-de-afetos-na-perspectiva-poetica-e-de-ferenczi\/","title":{"rendered":"Mem\u00f3ria corporal, trauma racial e religa\u00e7\u00f5es de afetos na perspectiva po\u00e9tica e de Ferenczi"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"411\" class=\"elementor elementor-411\" data-elementor-post-type=\"post\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-c1e0ca6 e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"c1e0ca6\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-f46006d elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"f46006d\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>Neste texto, gostaria de convidar os analistas a tamb\u00e9m refletirem sobre seus comportamentos frente a escuta do racismo no atendimento com pessoas negras e como a teoria de Ferenczi e a poesia podem ser recursos para a conscientiza\u00e7\u00e3o racial, religa\u00e7\u00e3o de afetos e alargamento de possibilidades criativas dos sujeitos expostos a constantes retraumatiza\u00e7\u00f5es e desmoronamentos, frente as viol\u00eancias do racismo, que podem ocorrer inclusive, nos atendimentos psicanal\u00edticos.<\/p><p>O trauma racial muitas vezes \u00e9 da ordem do inomin\u00e1vel. A psicanalista e artista Grada Kilomba (2019, p.214) nos diz que \u201co trauma do colonialismo, do racismo \u00e9 t\u00e3o violento e intenso, para qual a cultura n\u00e3o fornece equivalentes simb\u00f3licos.\u201d Como podemos ent\u00e3o, ouvir um corpo constantemente violentado? Silenciado? Desmentido? Um corpo negro sofre desumaniza\u00e7\u00e3o. Um aprisionamento, uma captura de si. Um desmantelamento de seu reconhecimento e de suas capacidades criativas. Se n\u00e3o vemos, enquanto analistas, um corpo negro, com tudo o que ele representa e expressa, e tudo o que \u00e9 projetado nele, como vamos conseguir ouvir as hist\u00f3rias, marcas, vest\u00edgios e auxiliar no processo de despertar as lembran\u00e7as nele registradas?<\/p><p>Na cl\u00ednica psicossom\u00e1tica psicanal\u00edtica, o corpo, a sensorialidade e a contratransfer\u00eancia s\u00e3o elementos de comunica\u00e7\u00e3o, rela\u00e7\u00e3o e encontro. Encontro que s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel, se cada analista repensar seus preconceitos e sua insensibilidade, como nos aponta Ferenczi. E al\u00e9m do embasamento te\u00f3rico, o que pode nos conectar com nossa sensibilidade e senso cr\u00edtico, social e cultural, \u00e9 a arte, a poesia:<\/p><p>\u201cNosso conhecimento n\u00e3o era de estudar em livros.<\/p><p>Era de pegar de apalpar de ouvir e de outros sentidos.<\/p><p>Seria um saber primordial?<\/p><p>Nossas palavras se juntavam uma a uma por amor e n\u00e3o por sintaxe\u201d.<br \/>(Barros, 2015, p. 15)<\/p><p>O encontro no setting anal\u00edtico com a poesia pode devolver voz, aquilo que ficou encapsulado. Tocar. Transformar. Os livros de poesia, principalmente de poetas negros, podem ser elementos que acessam camadas muito profundas. A poeta Concei\u00e7\u00e3o Evaristo, em seu livro Poemas da Recorda\u00e7\u00e3o e outros movimentos, escreve:<\/p><blockquote><p>\u201cNem todo viandante<br \/><span style=\"letter-spacing: 0px; word-spacing: 0em;\">anda estradas,<br \/><\/span><span style=\"letter-spacing: 0px; word-spacing: 0em;\">h\u00e1 mundos submersos<br \/><\/span><span style=\"letter-spacing: 0px; word-spacing: 0em;\">que s\u00f3 o sil\u00eancio<br \/><\/span><span style=\"letter-spacing: 0px; word-spacing: 0em;\">da poesia penetra.\u201d<\/span><\/p><p>(Evaristo, 2021, p 121).<\/p><\/blockquote><p>A poesia tamb\u00e9m contribui com o letramento racial dos analistas de forma mais simb\u00f3licas. O rap (ritmo e poesia) por exemplo, possibilita que o sujeito fale sobre si, das quest\u00f5es sociais, afetivas, pol\u00edticas, sofrimento ps\u00edquico, senso coletivo e de comunidade, de suas lutas, entre tantas outras quest\u00f5es. E por ser um movimento que surge nas periferias, fica \u00e0 margem, n\u00e3o sendo devidamente reconhecido como instrumento potente de conex\u00f5es e escuta.<\/p><p>Vivendo em um pa\u00eds estruturalmente racista, atuar na contram\u00e3o das exclus\u00f5es \u00e9 contribuir com a valoriza\u00e7\u00e3o e resgate ancestral da riqueza cultural dos povos negros, inclusive como recursos que podem auxiliar nos processos de elabora\u00e7\u00f5es dos traumas raciais.<\/p><p>Al\u00e9m de acessar as dores, quando lemos uma poesia para nossos analisandos, por exemplo, podemos tocar esse corpo com afetos. O \u201csentir com\u201d de Ferenczi, pode ser instrumento pol\u00edtico po\u00e9tico do analista: utilizar a arte, a m\u00fasica, a poesia, como ponte que pode ligar aquilo que se desconectou pelo trauma, que muitas vezes n\u00e3o consegue ser acessado, dito ou n\u00e3o far\u00e1 sentido ser apenas interpretado. O corpo pode falar com\/atrav\u00e9s da poesia.<\/p><p>Sou uma analista negra que atende pessoas negras. Tamb\u00e9m sou poeta. A escrita me possibilidade dan\u00e7ar com as palavras. E por trabalhar com a poesia em minha cl\u00ednica, me aproximar dos saraus, de artistas perif\u00e9ricos, percebo cada vez mais a import\u00e2ncia do movimento po\u00e9tico no setting anal\u00edtico, como elemento emancipat\u00f3rio. Integrativo do sujeito consigo mesmo e do sujeito com o mundo.<\/p><blockquote><p><i>A poesia nasceu<br \/><span style=\"letter-spacing: 0px; word-spacing: 0em;\">Da anassemia<br \/><\/span><span style=\"letter-spacing: 0px; word-spacing: 0em;\">De tentar transformar o que ainda n\u00e3o tem representa\u00e7\u00e3o<br \/><\/span><span style=\"letter-spacing: 0px; word-spacing: 0em;\">Em palavras<br \/><\/span><span style=\"letter-spacing: 0px; word-spacing: 0em;\">E ela falha<br \/><\/span><span style=\"letter-spacing: 0px; word-spacing: 0em;\">Sempre<br \/><\/span><span style=\"letter-spacing: 0px; word-spacing: 0em;\">Porque a poesia<br \/><\/span><span style=\"letter-spacing: 0px; word-spacing: 0em;\">Transborda<br \/><\/span><span style=\"letter-spacing: 0px; word-spacing: 0em;\">A palavra<br \/><\/span>(Let\u00edcia Silva)<\/i><\/p><\/blockquote><p>Pensar especificamente na escrita\/poesia como instrumento de (re)liga\u00e7\u00e3o de afetos e (re)conhecimento \u00e9 uma aposta. Barros (2015) aponta que: \u201cescrever o que n\u00e3o acontece \u00e9 tarefa da poesia.\u201d<\/p><p>E n\u00f3s analistas, conseguimos enxergar que mesmo sem ser poeta, Ferenczi deixou para n\u00f3s um legado po\u00e9tico em suas obras? Em nossas cl\u00ednicas, arte e psican\u00e1lise podem caminhar mais pr\u00f3ximas?<\/p><p>Acredito que uma das formas de composi\u00e7\u00e3o dessa cl\u00ednica que priorize a arte e a poesia como recursos de acolhimento ao sofrimento de pessoas negras e enfrentamento ao racismo seja pelo caminho da criatividade. Criar junto com nossos analisandos possibilidades de nomea\u00e7\u00e3o, testemunho, reconhecendo os efeitos traum\u00e1ticos do racismo, que podem romper identidades, v\u00ednculos e lugares de pertencimento, mas tamb\u00e9m reconhecendo a poesia, o samba, o rock, o rap, o blues, que h\u00e1 em cada subjetividade negra, em sua singularidade e multiplicidade, compondo uma escuta clinico po\u00e9tica, como elasticidade da t\u00e9cnica anal\u00edtica.<\/p><blockquote><p><i>A roda dos n\u00e3o ausentes<br \/><\/i><i><span style=\"letter-spacing: 0px; word-spacing: 0em;\">O nada e o n\u00e3o,<br \/><\/span><\/i><i><span style=\"letter-spacing: 0px; word-spacing: 0em;\">aus\u00eancia alguma,<br \/><\/span><\/i><i><span style=\"letter-spacing: 0px; word-spacing: 0em;\">borda em mim o empecilho.<br \/><\/span><\/i><i><span style=\"letter-spacing: 0px; word-spacing: 0em;\">H\u00e1 tempos treino<br \/><\/span><\/i><i><span style=\"letter-spacing: 0px; word-spacing: 0em;\">o equil\u00edbrio sobre<br \/><\/span><\/i><i><span style=\"letter-spacing: 0px; word-spacing: 0em;\">esse alquebrado corpo,\u00a0<br \/><\/span><\/i><i><span style=\"letter-spacing: 0px; word-spacing: 0em;\">e, se inteira fui,<br \/><\/span><\/i><i><span style=\"letter-spacing: 0px; word-spacing: 0em;\">cada peda\u00e7o que guardo de mim<br \/><\/span><\/i><i><span style=\"letter-spacing: 0px; word-spacing: 0em;\">tem na mem\u00f3ria o anelar<br \/><\/span><\/i><i><span style=\"letter-spacing: 0px; word-spacing: 0em;\">de outros peda\u00e7os.<br \/><\/span><\/i><i><span style=\"letter-spacing: 0px; word-spacing: 0em;\">E da hist\u00f3ria que me resta<br \/><\/span><\/i><i><span style=\"letter-spacing: 0px; word-spacing: 0em;\">estilha\u00e7ados sons esculpem<br \/><\/span><\/i><i><span style=\"letter-spacing: 0px; word-spacing: 0em;\">partes de uma m\u00fasica inteira.<\/span><\/i><i><span style=\"letter-spacing: 0px; word-spacing: 0em;\"><br \/><\/span><\/i><i><span style=\"letter-spacing: 0px; word-spacing: 0em;\">Tra\u00e7o ent\u00e3o a nossa roda gira-gira<br \/><\/span><\/i><i><span style=\"letter-spacing: 0px; word-spacing: 0em;\">em que os de ontem, os de hoje,<br \/><\/span><\/i><i><span style=\"letter-spacing: 0px; word-spacing: 0em;\">e os de amanh\u00e3 se reconhecem<br \/><\/span><\/i><i><span style=\"letter-spacing: 0px; word-spacing: 0em;\">nos peda\u00e7os uns dos outros.<br \/><\/span><\/i><i><span style=\"letter-spacing: 0px; word-spacing: 0em;\">Inteiros.<br \/><\/span><\/i><i>(Evaristo, 2021, p.12)<\/i><\/p><\/blockquote>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-67a65e8f e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"67a65e8f\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\" data-settings=\"{&quot;background_background&quot;:&quot;classic&quot;}\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-328ee352 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"328ee352\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>BARROS, M. Menino do mato. Rio de Janeiro: Objetiva, 2015.<\/p><p>\u00a0<\/p><p>EVARISTO, C. Poemas da recorda\u00e7\u00e3o e outros movimentos. Rio de Janeiro: Mal\u00ea, 2021.<br \/>FERENCZI, S. (1932). Reflex\u00f5es sobre o trauma. In: Obras completas. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 1992. v. IV. (p. 111).<\/p><p>FERENCZI, S. (1933). Confus\u00e3o de l\u00edngua entre os adultos e a crian\u00e7a. In: Obras completas. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 1992. v. IV.<\/p><p>KILOMBA, G. Mem\u00f3rias de Planta\u00e7\u00e3o \u2013 Epis\u00f3dios de racismo cotidiano. Rio de Janeiro: Cobog\u00f3, 2019.<\/p><p>PRATES, L. Um corpo negro. S\u00e3o Paulo: Nossa Editora, 2023<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-4282d3e2 e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"4282d3e2\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\" data-settings=\"{&quot;background_background&quot;:&quot;classic&quot;}\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-29bf339e e-con-full e-flex e-con e-child\" data-id=\"29bf339e\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-54687166 elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"54687166\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"image.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1080\" height=\"1080\" src=\"https:\/\/abrap.org\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/icone-site-imagem-square.png\" class=\"attachment-full size-full wp-image-412\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/abrap.org\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/icone-site-imagem-square.png 1080w, https:\/\/abrap.org\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/icone-site-imagem-square-300x300.png 300w, https:\/\/abrap.org\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/icone-site-imagem-square-1024x1024.png 1024w, https:\/\/abrap.org\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/icone-site-imagem-square-150x150.png 150w, https:\/\/abrap.org\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/icone-site-imagem-square-768x768.png 768w, https:\/\/abrap.org\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/icone-site-imagem-square-650x650.png 650w\" sizes=\"(max-width: 1080px) 100vw, 1080px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-1ad06c28 e-con-full e-flex e-con e-child\" data-id=\"1ad06c28\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-41f1e330 elementor-widget elementor-widget-heading\" data-id=\"41f1e330\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n\t\t\t\t\t<h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\">Autora<\/h2>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-6677aaf3 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"6677aaf3\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p><strong>Let\u00edcia Gon\u00e7alves da Silva<\/strong><br \/>psic\u00f3loga e psicanalista<\/p><p>Let\u00edcia Gon\u00e7alves da Silva, psic\u00f3loga e psicanalista<\/p><p>E mail:\u00a0<a style=\"background-color: #fafafa; letter-spacing: 0px; word-spacing: 0em;\" href=\"mailto: leticia_psi@outlook.com\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">leticia_psi@outlook.com<\/a><br \/><span style=\"letter-spacing: 0px; word-spacing: 0em;\">Rede social: instagram \u2013 @florescendo.nocaos<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O conceito de trauma e seus desdobramentos s\u00e3o contribui\u00e7\u00f5es fundamentais do psicanalista h\u00fangaro S\u00e1ndor Ferenczi. O te\u00f3rico aponta entre outras quest\u00f5es, a import\u00e2ncia de nos atentarmos aos comportamentos dos adultos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 crian\u00e7a que sofreu o traumatismo (1932\/1992, p. 111), que podem afetar ainda mais do que o pr\u00f3prio trauma, ocasionando danos no desenvolvimento de suas identidades e v\u00ednculos afetivos. <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":415,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-411","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-materias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/abrap.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/411","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/abrap.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/abrap.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/abrap.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/abrap.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=411"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/abrap.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/411\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":418,"href":"https:\/\/abrap.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/411\/revisions\/418"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/abrap.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/415"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/abrap.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=411"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/abrap.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=411"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/abrap.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=411"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}